Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

{085}Ou Isto Ou Aquilo 15/05/2010

Filed under: Cecilia Meireles,Poesia,Solidão — docilda @ 0:08
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“Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

Cecília Meireles

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{084} Dois Modos – Clarice Lispector 24/01/2010

Dois Modos
Como se eu procurasse não aproveitar a vida imediatamente,
mas só a mais profunda, o que me dá dois modos de ser:
em vida, observo muito,
sou “ativa” nas observações,
tenho o senso do ridículo,
do bom humor,
da ironia
e tomo um partido.
Escrevendo, tenho observações “passivas”,
tão interiores que “se escrevem” ao mesmo tempo em que são
sentidas quase sem o que se chama de processo.
É por isso que no escrever eu não escolho,
não posso me multiplicar em mil,
me sinto fatal a despeito de mim.

Clarice Lispector

 

{083} Exupéry 15/01/2010

Filed under: ,Poesia,Saint_Exupéry — docilda @ 13:30
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“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante.”
“- Olá, bom dia! – disse o principezinho.
– Olá, bom dia! – disse o vendedor.
Era um vendedor de comprimidos para tirar a sede. Toma-se um por semana e deixa-se de ter necessidade de beber.
– Porque é que andas a vender isso? – perguntou o principezinho.
– Porque é uma grande economia de tempo – respondeu o vendedor. – Os cálculos foram feitos por peritos. Poupam-se cinquenta e três minutos por semana.
– E o que é que se faz com esses cinquenta e três minutos?
– Faz-se o que se quiser…
“Eu”, pensou o principezinho, “eu cá se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, punha-me era a andar muito de mansinho à procura de uma fonte…”

Antoine de St. Exupery (in “O princepezinho”)

 

{082}… Enjôo de Gente… 15/11/2009

Filed under: Clarice Lispector,Livros,Poesia — docilda @ 0:28
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Sol

“Às vezes me dá enjôo de gente.
Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.
E é só.”

Clarice Lispector

 

{079} Clarice por Clarice 08/08/2009

equilíbrio

“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar.  Até esta glorificação: eu amo o Nada.
A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada.
E desta queda é que começo a fazer minha vida.
Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo.
Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

Clarice Lispector.

Daqui.

 

{078} Clarice por Clarice… 05/08/2009

Filed under: Citações,Clarice Lispector,Poesia — docilda @ 20:33
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“Uma vez eu irei.
Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez.
O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações.
Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo.
Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai.
Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão.
De tigre, eu preferiria.
Meu corpo, esse serei obrigada a levar.
Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão.
E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente.
Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove.
Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido.
Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta.
Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si.
Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto…”

Clarice Lispector

princesa

Daqui.

 

{076} Amor 19/07/2009

Filed under: Amor,Citações,Martha Medeiros — docilda @ 1:30
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42-15837063

Amor

Você está sozinho… Em frente a TV, devora dois pacotes de doritos enquanto espera o telefone tocar.
Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha…
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmm
É a sua mãe, quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia.
Amor não atende com hora marcada.
Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase “galinha”, sem disposição para relacionamentos sérios.
Ele passa batido e você nem aí.
Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido, desconfiado, cheio de olheiras….
E o amor dá meia – volta, volver….
Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo…
Que você está de banho tomado, com camisa e jeans?
Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana?
Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz?
Agora que você está com o coração as moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina.
Você passa uma festa inteira hipnotizando alguém que nem te enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você.
Ou então fica arrasado porque não foi à praia no final de semana.
Toda sua turma está lá, azarando-se uns aos outros.
Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é redirecionar o radar, para norte, sul, leste e oeste.
Seu amor pode estar num corredor de supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole.
O amor está em todos os lugares, você que não procura direito!
A primeira lição está dada:
“O amor é onipresente!”
Agora, a segunda:
“… mas é imprevisível!”
Jamais espere ouvir “Eu te amo” num jantar à luz de velas no dia dos namorados.
Ou receber flores logo após a primeira transa.
O amor, odeia clichês.
Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde… depois de uma discussão, por você ter gostado do filme e ele não…e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovada no teste de baliza…
Idealizar é sofrer!
Amar é surpreender!
Amem sempre, pois (não é mera pieguice) tudo passa, no fim, só o amor, permanece!

Martha Medeiros