Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

{061} Certezas 05/04/2009

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Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.


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{061} Um pouco de Mário Quintana

mario quintana

Mario Quintana já foi rotulado de anjo, feiticeiro, mágico. Mas era somente poeta, um homem reservado, irônico e apaixonado, com um mundo particular de difícil acesso até mesmo para os amigos mais próximos. Vivendo de hotel em hotel na Capital gaúcha, fez de seu quarto um verdadeiro santuário, no qual poucos tinham permissão para entrar. Tanto mistério escondia, no fundo, hábitos singelos, tão comuns quanto comer quindim e beber café preto.

Junto com seus cadernos, blocos e os muitos livros que guardava nas prateleiras, não podiam faltar as duas garrafas térmicas de café. Notívago por excelência, tornou a bebida o combustível ideal para suas longas jornadas. A sobrinha-neta Elena Quintana conta que ele tomava, pelo menos, quatro térmicas por dia. “Quando eu tentava acompanhar, meu estômago enjoava”, admite. Nem quando esteve hospitalizado o poeta esqueceu do querido café. Escrevendo numa prancheta, chegou a pedir uma xícara para Elena, que, carinhosamente, lhe explicou que não poderia atendê-lo. Ele, bem-humorado, respondeu: “Com canudo. Arruma um canudo”.

Sandra Ritzel, que cuidou de Quintana em seus últimos anos, salienta que o café tinha de ser, necessariamente, sem açúcar. “Ele dizia que de doce já bastava a vida”, revela. Esta é uma contradição voluntária do escritor, visto que ele adorava doces. O advogado aposentado Francisco de Souza lembra que os dois costumavam degustar banana split na Rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre. Mas a sobremesa predileta era mesmo o quindim. “Eu sempre presenteava o Mario com quindins nos aniversários. Estou até procurando uma réplica para colocar no quarto dele”, afirma Sérgio Napp, diretor da Casa de Cultura Mario Quintana, referindo-se ao último aposento em que Quintana hospedou-se, no antigo Hotel Majestic, e hoje aberto à visitação.

Sandra, que cozinhava para o poeta, acrescenta outros itens à lista de predileções: pudim de queijo e mousse de chocolate com cereja. Elena vai além: “Ele gostava de chocolate amargo, o qual desmanchava no café. E havia ainda um bombom recheado com licor de cereja que ele pedia no aniversário. Detestava receber flores, porque não dava para comer”, confidencia, rindo.

O costume do café com quindim, diz Elena, remonta à época em que comia no bar do jornal Correio do Povo, onde trabalhava. “Ele se alimentava mal. Às vezes, isso era toda a refeição.” Mario Quintana, no entanto, não apreciava tanto assim o local, como falou à jornalista Eunice Jacques: “Detesto comer em lancheria, naqueles balcões. A gente neles come de perfil”. Estar na redação era outro de seus hábitos sagrados. O jornalista Adail Borges Fortes, em um texto publicado no periódico, afirma que o poeta estava no prédio dia e noite. “Este é o seu ambiente. O jornalismo sempre foi a sua profissão. E quem sabe se não foi a atividade diária da imprensa, o convívio com todos os tipos humanos, o trato permanente dos problemas da vida, o cotidiano, que lhe deram mais força e pureza na sua obra poética? Estou certo que sim.”

A simplicidade encontrada nos versos de Quintana se estende a sua alimentação. Ele não apreciava requintes e preferia pratos fáceis e corriqueiros. Era louco por massas, até mesmo se fossem preparadas na manteiga. Filé com fritas, chuleta, banana à milanesa, arroz à grega, feijoada e canja de galinha faziam parte de seu cardápio.

O tradicional chimarrão é um exemplo do que ele evitava. Salada de batata, igualmente, nem pensar, apenas de tomate. “Ele não era muito de verduras e legumes. Só um pouco de espinafre e batata na canja”, conta Elena. Já com as frutas, o escritor era menos seletivo, mas igualmente havia exigências. A banana precisava ser bem madura; o abacaxi, em compota; a uva, preta; e o pêssego, do tipo branco, grande e que desprende o caroço. De peixe, nada. Somente bacalhau e sardinha em lata. “Ele achava que comer peixe era perigoso, que chegava estragado. Não adiantava explicar que hoje existem frigoríficos”, diz a sobrinha. Ainda assim, a sardinha tem uma história curiosa. Era ingrediente de um prato que o escritor preparava. No hotel, pedia uma porção de arroz. Logo, esmigalhava a sardinha e complementava com molho inglês. Elena faz cara feia para o menu, mas garante que o poeta realmente adorava.

No final da vida, Mario Quintana deixou de respeitar o relógio, jantando apenas no horário da fome. “Minha fome é de sopa, de canja de galinha, uma fome de velho”, ironizava. Novamente, Elena abre parênteses para os importantíssimos detalhes. “Na canja, que ele tomava muito nas noites de inverno, somente podia ir batata, arroz e galinha.”

Durante os passeios noturnos, o poeta sentia um verdadeiro prazer em andar bem devagarzinho para assaltar a geladeira. Comia ali mesmo, de colher. “Comida roubada é mais gostosa”, costumava dizer às enfermeiras, que o encontravam no ato. Sandra comenta que seguido ele pedia omelete com sal e salsinha. O ovo frito tinha de ser crocante nas bordas, com bolinhas na clara; e a gema, molinha. Elena nunca conseguiu acertar esse jeito, que o escritor chamava de “vestido de noiva”.

Homem de opiniões firmes, Maria Quintana não tinha receio de mostrar seus excessos. Às vezes, passava uma semana pedindo a mesma comida. Ou um mês querendo a mesma sobremesa. Era atendido nas suas vontades, mas não tão compreendido. “Ele dizia que o que fazia bem para os cachorros fazia bem para ele. E os cachorros comem sempre o mesmo”, revela Elena.

O poeta

Mario de Miranda Quintana pertence à segunda geração do Modernismo brasileiro. Incorporou na poesia o bom humor, o coloquialismo e a brevidade característicos da vanguarda moderna. Nasceu em 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete (RS). Em 1919, mudou-se para Porto Alegre, para estudar no Colégio Militar. Trabalhou como tradutor e colaborador em periódicos. Seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, foi publicado em 1940. Seguiram-se Canções 1946, Sapato Florido 1948 e O Batalhão das Letras. Destacam-se ainda em sua obra poética Pé de Pilão, Apontamentos de História Sobrenatural, Quintanares, Baú de Espantos, Preparativos de Viagem e Velório sem Defunto. Em 1981, recebeu o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Morreu em 5 de maio de 1994, aos 87 anos, em Porto Alegre.

Por: Andréia Odriozola

Foto: Liane Neves

Publicado na Revista Sabor Gastronomia nº 4

 

{049} Canção do Primeiro Ano. 05/03/2009

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Anjos varriam morcegos
Até jogá-los no mar.

quintana

Outros pintavam de azul,
De azul e de verde-mar,
Vassouras de feiticeiras,
Desbotadas tabuletas,
Velhos letreiros de bar.

Era uma carta amorosa?
Ou uma rosa que abrira?
Mas a mão correra ansiosa
– Ó sinos, mais devagar! –
À janela azul e rosa,
Abrindo-a de par em par.

Ó banho de luz, tão puro,
Na paisagem familiar:
Meu chão, meu poste, meu muro,
Meu telhado e a minha nuvem,
Tudo bem no seu lugar.

E os sinos dançam no ar.
De casa a casa, os beirais,
– Para lá e para cá –
Trocam recados de asas,
Riscando sustos no ar.

Silêncios. Sinos. Apelos. Sinos.
E sinos. Sinos. E sinos. Sinos.
Pregoeiros. Sinos. Risadas. Sinos.
E levada pelos sinos,
Toda ventando de sinos,
Dança a cidade no ar!

Mario Quintana
(1906-1994)


 

{048} Mário Quintana por ele mesmo.

Mário Quintana, por ele mesmo.

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo.
Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.
Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto.
Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras.
Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

Mário Quintana


mario-quintana


O despertador é um acidente de tráfego do sono.

* * *
O bom da chuva é que parece que não tem fim.

* * *
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

* * *
O primeiro sinal da incompreensão é o riso; o segundo, a seriedade.

* * *
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

* * *
Amar é mudar a alma de casa.

* * *
A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.

* * *
Só o que está perdido é nosso para sempre.

* * *
Quem nunca se contradiz deve estar mentindo.

* * *
Um lugar só é bom quando a gente pode fugir para outro lugar.

Frases de Mário Quintana

 

{046} A verdadeira arte de viajar.

Filed under: Citações,Mário Quintana,Poesia — docilda @ 0:14
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A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

(Mário Quintana in “A cor do invisível”)

fugir

 

{039} Degraus 16/02/2009

princesa-dos-sonhos 
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros
Não subas aos sótãos onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo

Mário Quintana

 

{003} Homenagem 20/11/2007

Nem tudo estará perdido
Enquanto nossos lábios não esquecerem teu nome:

Cecília…”
Mário Quintanaccecilia.jpg