Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

Franz Kafka 03/07/2010

Filed under: Franz Kafka,Livros — docilda @ 20:49
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Franz Kafka
Em 3 de julho de 1883, nasce o escritor checo Franz Kafka.
Judeu nascido em Praga, ele não teve nenhum de seus romances publicados enquanto vivo.
Kafka é o autor de livros como
O Processo e A Metamorfose, etc…
que descrevem a ansiedade do homem que vive em um mundo indiferente, incompreensível e hostil.

“Ai de mim!”, disse o rato, ” – o mundo vai ficando dia a dia mais estreito” .

“- Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair”.

“- Mas o que tens a fazer é mudar de direção”, disse o gato, devorando-o.

Franz Kafka

Daqui

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{075} “Nem tudo é fácil” 19/07/2009

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É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida… Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos.
Mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!

Cecília Meireles (1901-1964)

 

{067} … Ninguém 13/05/2009

Filed under: Clarice Lispector,Inspiração,Livros,Poesia — docilda @ 22:29
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(…) E ninguém é eu, e ninguém é você.

Esta é a solidão (…)

Clarice Lispector

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{064} Cecília Meireles 07/05/2009

Filed under: Cecilia Meireles,Citações,Livros — docilda @ 21:57
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desejos

“Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos.”

Cecília Meireles

 

{062} Solidão 14/04/2009

Filed under: Citações,Livros,Poesia,Sylvia Plath — docilda @ 22:29
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amoras

Ninguém no caminho, e nada, nada a não ser amoras,
amoras dos dois lados, embora mais à direita,
uma álea de amoras, descendo em curvas fechadas, e um mar
algures, lá ao longe, arfando.
Amoras tão grandes como a cabeça do meu polegar,
e mudas como olhos negros nas sebes, repletas
de um suco azul-vermelho. Este desperdiça-se nos meus dedos.
Não pedira tal comunhão de sangue; devem amar-me.
Comprimem-se numa garrafa de leite, de encontro aos seus lados” 

 Sylvia Plath

 

{061} Certezas 05/04/2009

Filed under: Livros,Mário Quintana,Poesia — docilda @ 1:31
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Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.


 

{061} Um pouco de Mário Quintana

mario quintana

Mario Quintana já foi rotulado de anjo, feiticeiro, mágico. Mas era somente poeta, um homem reservado, irônico e apaixonado, com um mundo particular de difícil acesso até mesmo para os amigos mais próximos. Vivendo de hotel em hotel na Capital gaúcha, fez de seu quarto um verdadeiro santuário, no qual poucos tinham permissão para entrar. Tanto mistério escondia, no fundo, hábitos singelos, tão comuns quanto comer quindim e beber café preto.

Junto com seus cadernos, blocos e os muitos livros que guardava nas prateleiras, não podiam faltar as duas garrafas térmicas de café. Notívago por excelência, tornou a bebida o combustível ideal para suas longas jornadas. A sobrinha-neta Elena Quintana conta que ele tomava, pelo menos, quatro térmicas por dia. “Quando eu tentava acompanhar, meu estômago enjoava”, admite. Nem quando esteve hospitalizado o poeta esqueceu do querido café. Escrevendo numa prancheta, chegou a pedir uma xícara para Elena, que, carinhosamente, lhe explicou que não poderia atendê-lo. Ele, bem-humorado, respondeu: “Com canudo. Arruma um canudo”.

Sandra Ritzel, que cuidou de Quintana em seus últimos anos, salienta que o café tinha de ser, necessariamente, sem açúcar. “Ele dizia que de doce já bastava a vida”, revela. Esta é uma contradição voluntária do escritor, visto que ele adorava doces. O advogado aposentado Francisco de Souza lembra que os dois costumavam degustar banana split na Rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre. Mas a sobremesa predileta era mesmo o quindim. “Eu sempre presenteava o Mario com quindins nos aniversários. Estou até procurando uma réplica para colocar no quarto dele”, afirma Sérgio Napp, diretor da Casa de Cultura Mario Quintana, referindo-se ao último aposento em que Quintana hospedou-se, no antigo Hotel Majestic, e hoje aberto à visitação.

Sandra, que cozinhava para o poeta, acrescenta outros itens à lista de predileções: pudim de queijo e mousse de chocolate com cereja. Elena vai além: “Ele gostava de chocolate amargo, o qual desmanchava no café. E havia ainda um bombom recheado com licor de cereja que ele pedia no aniversário. Detestava receber flores, porque não dava para comer”, confidencia, rindo.

O costume do café com quindim, diz Elena, remonta à época em que comia no bar do jornal Correio do Povo, onde trabalhava. “Ele se alimentava mal. Às vezes, isso era toda a refeição.” Mario Quintana, no entanto, não apreciava tanto assim o local, como falou à jornalista Eunice Jacques: “Detesto comer em lancheria, naqueles balcões. A gente neles come de perfil”. Estar na redação era outro de seus hábitos sagrados. O jornalista Adail Borges Fortes, em um texto publicado no periódico, afirma que o poeta estava no prédio dia e noite. “Este é o seu ambiente. O jornalismo sempre foi a sua profissão. E quem sabe se não foi a atividade diária da imprensa, o convívio com todos os tipos humanos, o trato permanente dos problemas da vida, o cotidiano, que lhe deram mais força e pureza na sua obra poética? Estou certo que sim.”

A simplicidade encontrada nos versos de Quintana se estende a sua alimentação. Ele não apreciava requintes e preferia pratos fáceis e corriqueiros. Era louco por massas, até mesmo se fossem preparadas na manteiga. Filé com fritas, chuleta, banana à milanesa, arroz à grega, feijoada e canja de galinha faziam parte de seu cardápio.

O tradicional chimarrão é um exemplo do que ele evitava. Salada de batata, igualmente, nem pensar, apenas de tomate. “Ele não era muito de verduras e legumes. Só um pouco de espinafre e batata na canja”, conta Elena. Já com as frutas, o escritor era menos seletivo, mas igualmente havia exigências. A banana precisava ser bem madura; o abacaxi, em compota; a uva, preta; e o pêssego, do tipo branco, grande e que desprende o caroço. De peixe, nada. Somente bacalhau e sardinha em lata. “Ele achava que comer peixe era perigoso, que chegava estragado. Não adiantava explicar que hoje existem frigoríficos”, diz a sobrinha. Ainda assim, a sardinha tem uma história curiosa. Era ingrediente de um prato que o escritor preparava. No hotel, pedia uma porção de arroz. Logo, esmigalhava a sardinha e complementava com molho inglês. Elena faz cara feia para o menu, mas garante que o poeta realmente adorava.

No final da vida, Mario Quintana deixou de respeitar o relógio, jantando apenas no horário da fome. “Minha fome é de sopa, de canja de galinha, uma fome de velho”, ironizava. Novamente, Elena abre parênteses para os importantíssimos detalhes. “Na canja, que ele tomava muito nas noites de inverno, somente podia ir batata, arroz e galinha.”

Durante os passeios noturnos, o poeta sentia um verdadeiro prazer em andar bem devagarzinho para assaltar a geladeira. Comia ali mesmo, de colher. “Comida roubada é mais gostosa”, costumava dizer às enfermeiras, que o encontravam no ato. Sandra comenta que seguido ele pedia omelete com sal e salsinha. O ovo frito tinha de ser crocante nas bordas, com bolinhas na clara; e a gema, molinha. Elena nunca conseguiu acertar esse jeito, que o escritor chamava de “vestido de noiva”.

Homem de opiniões firmes, Maria Quintana não tinha receio de mostrar seus excessos. Às vezes, passava uma semana pedindo a mesma comida. Ou um mês querendo a mesma sobremesa. Era atendido nas suas vontades, mas não tão compreendido. “Ele dizia que o que fazia bem para os cachorros fazia bem para ele. E os cachorros comem sempre o mesmo”, revela Elena.

O poeta

Mario de Miranda Quintana pertence à segunda geração do Modernismo brasileiro. Incorporou na poesia o bom humor, o coloquialismo e a brevidade característicos da vanguarda moderna. Nasceu em 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete (RS). Em 1919, mudou-se para Porto Alegre, para estudar no Colégio Militar. Trabalhou como tradutor e colaborador em periódicos. Seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, foi publicado em 1940. Seguiram-se Canções 1946, Sapato Florido 1948 e O Batalhão das Letras. Destacam-se ainda em sua obra poética Pé de Pilão, Apontamentos de História Sobrenatural, Quintanares, Baú de Espantos, Preparativos de Viagem e Velório sem Defunto. Em 1981, recebeu o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Morreu em 5 de maio de 1994, aos 87 anos, em Porto Alegre.

Por: Andréia Odriozola

Foto: Liane Neves

Publicado na Revista Sabor Gastronomia nº 4