Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

{084} Dois Modos – Clarice Lispector 24/01/2010

Dois Modos
Como se eu procurasse não aproveitar a vida imediatamente,
mas só a mais profunda, o que me dá dois modos de ser:
em vida, observo muito,
sou “ativa” nas observações,
tenho o senso do ridículo,
do bom humor,
da ironia
e tomo um partido.
Escrevendo, tenho observações “passivas”,
tão interiores que “se escrevem” ao mesmo tempo em que são
sentidas quase sem o que se chama de processo.
É por isso que no escrever eu não escolho,
não posso me multiplicar em mil,
me sinto fatal a despeito de mim.

Clarice Lispector

 

Nossa viagem (Suiça…) + Clarice (Estrela Perigosa) 01/12/2009

Filed under: Citações,Clarice Lispector,Solidão — docilda @ 14:30
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Deixei lá um pedacinho do coração… 😀

(Bar do Museu Giger, Lago Léman, Château… Gruyère)

Estrela Perigosa

Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.

No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.

Clarice Lispector

 

{082}… Enjôo de Gente… 15/11/2009

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Sol

“Às vezes me dá enjôo de gente.
Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.
E é só.”

Clarice Lispector

 

{081} Clarice Lispector 03/09/2009

Filed under: Citações,Clarice Lispector — docilda @ 22:42
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“Acho que sábado é a rosa da semana.”

Clarice Lispector

cor de rosa boloFoto

 

{080} Clarice Dizia: 27/08/2009

Filed under: Citações,Clarice Lispector,Livros — docilda @ 9:26
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Christian_Louboutin_by_Flashsnapper

Clarice dizia:

“Suponho que entender não seja uma questão de inteligência, mas uma questão de sentir, de entrar em contato.”

Clarice Lispector

 

{079} Clarice por Clarice 08/08/2009

equilíbrio

“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar.  Até esta glorificação: eu amo o Nada.
A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada.
E desta queda é que começo a fazer minha vida.
Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo.
Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

Clarice Lispector.

Daqui.

 

{078} Clarice por Clarice… 05/08/2009

Filed under: Citações,Clarice Lispector,Poesia — docilda @ 20:33
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“Uma vez eu irei.
Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez.
O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações.
Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo.
Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai.
Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão.
De tigre, eu preferiria.
Meu corpo, esse serei obrigada a levar.
Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão.
E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente.
Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove.
Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido.
Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta.
Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si.
Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto…”

Clarice Lispector

princesa

Daqui.