Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

Reverencio 07/05/2009

Clarice_Lispector

Clarice Lispector  nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia.
Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser.
Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector.
A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921.
Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano.
Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice.
Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância.
Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês.
Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.
Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

“Por mais intransmissível que fossem os humanos, eles sempre tentavam se comunicar através de gestos, de gaguejos, de palavras mal ditas e malditas.”

“Eu ainda não sei controlar meu ódio mas já sei que meu ódio é um amor irrealizado, meu ódio é uma vida ainda nunca vivida. Pois vivi tudo – menos a vida. E é isso o que não perdôo em mim, e como não suporto não me perdoar, então não perdôo aos outros. A este ponto cheguei: como não consegui a vida, quero matá-la. A minha cólera – que é ela senão reivindicação? – a minha cólera, eu sei, eu tenho que saber neste minuto raro de escolha, a minha cólera é o reverso de meu amor; se eu quiser escolher finalmente me entregar sem orgulho à doçura do mundo, então chamarei minha ira de amor.”

“E era bom.’ Não entender’ era tão vasto que ultrapassava qualquer entender – entender era sempre limitado. Mas não entender não tinha fronteiras e levara ao infinito, ao Deus. Não era um não-entender como um simples de espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez.”

“Haveria um grande silêncio em mim, mesmo que eu falasse”

“O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nú, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio, não para o silêncio astral.”

“…é só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos é que começamos a saber.”

” A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano.”

CURIOSIDADES:

Clarice verteu para o português, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora estadunidense Anne Rice.
Ainda jovem, à época esposa de diplomata brasileiro, serviu como voluntária na campanha da Itália durante a II Guerra Mundial, no corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira.
A primeira edição de Onde estivestes de noite foi recolhida por ter sido colocado, erroneamente, um ponto de interrogação no título.
Em artigo publicado no jornal The New York Times, no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice.
“A descoberta do mundo”, de Clarice Lispector, foi um dos livros prediletos do cantor, compositor e poeta Cazuza.

Clarice Lispector

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hermann_hesse

Hermann Hesse nasceu em 1877, em Calw (Alemanha), filho de missionários protestantes. Entrou cedo em choque com os pais, que queriam o filho pastor. Estuda no colégio Maulbronn, onde não se submete à disciplina da escola, e foge para a Suiça.
Longe dos estudos e afastado de sua família, Hesse trabalha como livreiro, em Basiléia (Suiça). Dedica-se a poesia e publica Gedichte (1902). Dois anos depois, seu romance Peter Camenzind (1904), história de um jovem que se rebela contra sua aldeia natal e foge, tem grande aceitação de crítica e público.
Famoso, casa-se com uma suiça, mas continua revoltado contra o meio burguês e contra as convenções sociais. Esse drama é transposto para o livro Gertrud (1910).
A revolta e a incapaciadade de adaptação levam Hesse a mudar-se para a Índia, país onde seu pais haviam sido missionários. No Oriente conhece o budismo, filosofia religiosa que seria a de sua vida.
Depois de 1914, engaja-se em atividades subversivas contra o militarismo alemão. Em 1919, publica Demian, livro diferente de tudo o que publicara e que recebe nítida influência de Carl G. Jung, com quem tivera tratamento psicanalítico.
Em 1922, Hesse publica Sidharta, história do filho de um sacerdote brâmane que deixa o lar paterno em busca da verdade e da sabedoria. Sem encontrar a solução de seus problemas na Índia, Hesse resolve contar em romance a história de sua vida no livro O lobo da estepe (1927). Essa obra, segundo Thomas Mann não é inferior a Ulysses, de James Joyce.
Em 1943, Hesse lança sua última grande obra, O jogo das contas de vidro, romance utópico, situado no ano de 2200. Prêmio Nobel de literatura em 1946, Hermann Hesse morreu em 1962, na cidade de Montagnola (Suíça).
Hesse também é autor de Contos Românticos (1899); dos livros de poesia Gedichte (1902) e Neue Gedichte (1937); e dos romances Peter Camenzind (1904), Debaixo das rodas (1906), Gertrud (1910), Rosshalde (1913), Knulp (1915), Demian (1919), Sidharta (1922), O lobo da estepe (1927), Narciso e Goldmund (1930), O jogo das contas de vidro (1943), entre outros.

Assim disse Pistórius a Sinclair, em uma passagem de Demian:

“- Sempre achamos que são demasiadamente estreitos os limites de nossa personalidade! Atribuímos à nossa pessoa somente aquilo que distinguimos como individual e divergente. Mas cada um de nós é um ser total do mundo, e da mesma forma como o corpo integra toda a trajetória da evolução, remontando ao peixe e mesmo a antes, levamos em nossa alma tudo o quanto desde o princípio está vivendo na alma dos homens. Todos os deuses e todos os demônios que já existiram, quer entre os gregos, os chineses ou os cafres, todos estão conosco, todos estão presentes, como possibilidades, desejos ou caminhos. Se toda a humanida perecesse com exceção de uma só criança medianamente dotada, esse menino sobrevivente tornaria a encontrar o curso das coisas e poderia criar tudo de novo: deuses, demônios e paraísos, mandamentos e proibições, antigos e novos Testamentos.

– Pois bem – objetou-lhe Sinclair. -Mas que fim leva o valor do indivíduo? Para que aspiramos a algo se já temos tudo concluído em nós mesmos?

– Alto lá – exclamou Pistórius com força- Há muita diferença entre levarmos simplesmente o mundo em nós mesmos e conhecê-lo. Um louco pode expor idéias que lembram as de Platão e um colegial devoto pode criar em sua imaginação profundas conexões mitológicas que aparecem nas doutrinas dos gnóstico ou de Zoroastro. Mas sem sabê-lo! E enquanto não sabe, é uma árvore ou uma pedra, ou quando um animalzinho. Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas. Todos eles revelam possibilidades de chegar a ser homens, mas só quando vislumbram e aprendem a levá-las em parte à sua consciência é que se pode dizer que possuem uma…”

Hermann Hesse

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cecilia 2

“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(…) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(…) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”‘

Cecília Meireles

Reverenciar 

v. tr.
1. Fazer reverência a.
2. Prestar culto a; adorar.
3. Fig. Acatar, respeitar, venerar.
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