Docilda

Aqui … com doçura, paixão e alegria, vida, sorrisos, sucesso e amor… sabedoria, esperança, caridade e diferenças, saudades, liberdade, dúvidas e certezas, …entre amigos ou família… quem sabe outras crenças …dias de sol ou de chuva… sem frescuras… dividimos…”segredos”.

{068} O carteiro e o Poeta 15/05/2009

Filed under: Pablo Neruda,Poesia — docilda @ 23:48
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O Carteiro de Pablo Neruda é uma daquelas pérolas do cinema que nos fazem sorrir e que nos emocionam. Num tom lírico este filme mostra-nos a amizade que se criou entre o poeta chileno e o seu carteiro e o enamoramento deste ultimo pela bela Beatrice Russo.

Por razões políticas o poeta Pablo Neruda é obrigado a procurar exílio numa ilha em Itália. Neruda é amado pelo povo pelas suas crenças comunistas e pelas mulheres pelos seus poemas de amor. Mario é filho de um pescador e está desempregado. Ele tem muitas dificuldades a ler e escrever, mas mesmo assim consegue ser contratado como carteiro, tendo como privilégio ser o encarregado da correspondência do poeta.

Este é o retracto delicioso e inesquecível da busca de amor, felicidade de um homem. Recheado de momentos hilariantes, proporcionados principalmente por Massimo Troisi, que tem um papel encantador e muito rico. O filme é ainda uma ode à poesia, às metáforas, ao amor.

O actor e argumentista Massimo Troisi morreu de ataque cardíaco apenas 12 horas após a conclusão das filmagens deste filme. Apesar de saber que era doente cardíaco e que necessitava de tratamento e descanso, persistiu na sua ideia de terminar esta personagem. Está então de parabéns pois deixa um enorme carinho, pela sua simples mas grandiosa personagem cativante.

É sempre muito complicado conseguir transpor para um filme toda a essência de um livro e é o caso deste filme, apesar da história ser muito cativante há momentos que se perdem pela falta de mais pormenores que estão presentes no livro. Devo assim confessar que é preferível o livro ao filme, mas este ultimo não deixa por isso de merecer o seu mérito, pois é um filme terno e romântico, mas talvez não aconselhável para quem venere as histórias românticas hollywoodescas.

Maria-Grazia-Cucinotta

 

{028} Pablo Neruda 24/09/2008

De noite, amada, prende o teu coração ao meu
e que no sono eles dissipem as trevas
como um duplo tambor combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.

Nocturna travessia, brasa negra do sono
interceptando o fio das uvas terrestres
com a pontualidade dum comboio desvairado
que a sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.

Por isso, amor, prende-me ao movimento puro,
à tenacidade que tem em teu peito bate
com as asas dum cisne submerso,

para que às perguntas estreladas do céu
responda o nosso com uma única chave,
com uma única porta fechada pela sombra.

(Pablo Neruda in CEM SONETOS DE AMOR)

 

{027} Pablo Neruda 24/09/2008

Filed under: Amor,Felicidade,Pablo Neruda,Poesia — docilda @ 10:23
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Amor, a quantos caminhos obrigas para chegar a um beijo,
que solidão errante até chegar a ti!
Os comboios continuam vazios rolando com a chuva.
Em Taltal a primavera não amanheceu ainda.

Mas tu e eu, meu amor, estamos juntos,
juntos da roupa às raízes,
juntos pelo outono, pela água, pelas ancas,
até sermos apenas tu e eu juntos.

Pensar que custiu tantas pedras que o rio arrasta,
a embocadura da água do Boroa,
pensar que separados por comboios e nações

tu e eu devíamos simplesmente amar-nos,
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa os cravos.

(Pablo Neruda in CEM SONETOS DE AMOR)

 

{005} É proibido! 21/11/2007

Filed under: Pablo Neruda,Poesia — docilda @ 10:32
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É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer.

Abandonar tudo por medo.

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor.
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos.

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas.
Fingir que elas não te importam.

Ser gentil só para que se lembrem de você.

Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino.

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram.

Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas.

Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida.

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade.

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda


 

 
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