“Sou tão misteriosa que não me entendo.”“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo.Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”“Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. [...] Literatura também não sou porque não tornei o fatode escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’.Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável.Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer algumacoisa sobre a vida humana ou animal.”“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou umsentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”CLARICE LISPECTOR
Foto: Daqui
Clarice sempre Clarice… 01/11/2009
Dieta…. 23/10/2009
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Meu Querido Diário:
Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg . O médico me aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.
Primeiro dia de dieta:
Uma fatia de queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve.
Segundo dia de dieta:
Uma saladinha básica. Uma fatia de queijo branco. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho, mas nada que uma aspirina não resolva.
Terceiro dia de dieta:
Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá à noite.
Quarto dia de dieta:
Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. Janaína (aquela estagiaria novinha) comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti. Comi só duas fatias de queijo branco.
Anotação: Odeio Janaína
Quinto dia de dieta:
Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a Janaína. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.
Sexto dia de dieta:
Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui, sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um brigadeiro…
Sétimo dia de dieta:
Fui ao médico. Emagreci 250 gramas . Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250 gramas ! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha! Anotação: Procurar outro médico.
Oitavo dia de dieta:
Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando dança do ventre.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, Janaína diz que é porque estou parecendo o Jack do ‘Iluminado’.
Nono dia de dieta:
Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando a kara karamba kara karaô dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduíche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.
Décimo dia de dieta:
Eu odeio Gisele Bundchen! Com photoshop até a Dercy Gonçalves fica gostosa.
Décimo-primeiro dia de dieta:
Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.
Décimo-segundo dia de dieta:
Sopa.
Anotação: Nunca mais jogo pôquer com o frango assado. Ele rouba.
Décimo-terceiro dia de dieta:
A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar freneticamente. Assustado, o médico sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será que é porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.
Décimo-quarto dia de dieta:
O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.
Décimo-quinto dia de dieta:
Matei a Gisele Bundchen ! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.
Décimo sexto dia:
Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce…
Frase de Reflexão:
‘Certas dietas são simples: basta cortar o açúcar, as frituras, as massas, as bebidas alcoólicas, os pães e os pulsos.’
Recebi por e-mail..
[009]… Porto Ferreira Vintage 2007 22/10/2009

PORTO FERREIRA VINTAGE 2007
Detalhes Técnicos
Álcool: 21,05%
Acidez total: 4,66 gr / lt. (ácido tartártico)
Açúcar: 107,1 gr / lt.
pH: 3,52
Ferreira Vintage 2007 tem uma cor púrpura opaca, com nuances de violeta.
Os seus aromas têm uma excelente intensidade e complexidade, podendo detectar-se aromas balsâmicos a madeiras exóticas e um ligeiro toque a caixa de tabaco, bem como laivos de frutas vermelhas maduras e especiarias, como pimenta e cravinho.
Na boca, tem um ataque poderoso, revelando boa acidez e taninos firmes de grande qualidade, sendo possível detectar as frutas vermelhas e um ligeiro travo a manjericão. O seu final é extremamente longo e vibrante.
Marlene Dietrich *4* 11/10/2009
A História da Música Lili Marleen

Muito mais que uma canção dos soldados alemães sobre separação, despedida e a incerteza de um dia retornar, “Lili Marleen” foi tema de exposição. Tratou-se de uma homenagem ao clássico que virou mito integrante não só da cultura alemã, um sucesso que virou história.
A canção Lili Marleen, popularizada pela diva Marlene Dietrich entre os soldados aliados durante a Segunda Guerra Mundial, foi o tema de uma exposição na Casa da História Alemã (Haus der Geschichte), em Bonn. A exposição englobou mais de 300 objetos, desde discos, cartas dos soldados, cartazes de filmes e shows, mas também roupas da época.
O destaque especial foi para o uniforme usado por Marlene nos anos 1944 e 1945, nas suas apresentações aos soldados das tropas Aliadas na Alemanha e na França. Presa na roupa está a medalha conquistada pela estrela, por seus méritos na campanha antinazista e pelo moral das tropas.
Pode-se ver ainda o diário de Lale Andersen, que popularizou Lili Marleen a partir de 1939. Em 1942, por se corresponder com emigrantes judeus, os nazistas a proibiram de se apresentar em público.
Soldado escreveu a letra – Podem ser vistos também o manuscrito e a partitura original da música, ainda mais antiga do que se imagina. A letra, de Hans Leip, data de 1915. Em plena Primeira Guerra Mundial, o soldado de 21 anos rascunhou os versos num pedaço de papel, pouco antes de deixar sua caserna, em Berlim, para o front. O que o inspirou foi a despedida de um jovem soldado da namorada e de uma amiga, sob a luminária pública (Laterne). As garotas chamavam-se Betty, de apelido Lili, e Marleen.
Mas foram a música, composta por Norbert Schultze, em 1938, e a interpretação de Lale Andersen, no ano seguinte, que transformaram a canção sentimentalista em propaganda de guerra. A interpretação da diva Marlene Dietrich celebrizou a composição, traduzida para mais de 40 idiomas.
Motivação para as duas frentes – O curioso desta música é que ela foi usada pelos dois lados em conflito. Tratava-se de mais que uma simples canção sobre separação, despedida e incerteza de um dia retornar aos braços da amada. Desde 1942, a propaganda nazista não parava de tocar a música, inclusive na versão em inglês. Os britânicos revidaram com a mesma canção, na interpretação de Anne Shelton, muito popular entre os soldados.
Em abril de 1942, a guerra da propaganda com Lili Marleen chegou a um apogeu: a BBC de Londres divulgou uma paródia antinazista da canção, interpretada pela atriz alemã Lucie Mannheim, que havia fugido da Alemanha. Na estratégica batalha de Tobruk, na costa da Líbia, tanto nazistas quanto aliados ouviam a canção a partir de alto-falantes, instalados na frente de guerra. Também as tropas soviéticas aproveitaram-se do motivo, através de panfletos com apelos aos alemães para que retornassem às suas “lilis”.
Entrementes a música virou figura cult e objeto de consumo. A canção já foi gravada por várias estrelas da música internacional, serviu de registro para o nome de uma rosa, de um vinho e serviu de inspiração para um filme de Rainer Werner Fassbinder, com Hanna Schygulla. A exposição aconteceu na Casa da História Alemã, em Bonn, no ano de 2002.
Momento Artesanato 27/09/2009
Transformar em vasos coloridos. Com linha de crochê de cores fortes, Tatiana Pakiya, sócia do restaurante Duplex, em São Paulo, criou estes vasos para decorar as mesas do espaço. Para copiar a idéia, pegue um garrafa pequena e lisa – valem miniatura de bebida e vidro de pimenta -, passe cola branca em volta da parte inferior e comece a enrolar o fio sem deixar espaços vazios. O segredo do bom resultado está em manter a linha tensionada durante a execução e ir aos poucos – como a cola seca rapidamente, cubra cerca de 2 cm por vez.
http://casa.abril.com.br/decorar/facavocemesmo/
Meu Primeiro Meme 20/09/2009
Ganhei carinhosamente do Entre aspas
Como não tem nenhuma regra, ofereço “também” a todos os blogs que aprecio e sempre que posso vou visitar, e que estão linkados no “Leio e Recomendo”.

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Um bom domingo para todos com um pouco de Clarice Lispector…
“Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu – eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite”
Clarice Lispector

[008]… Presente do QM (Querido Marido) 04/09/2009
Porque a vida é uma linha recta
Março 9, 2008 por docildo
Somos guiados sim, pelo Creador, pelo amor, pela beleza, pela lágrima (nem sempre de tristeza)
Somos perseguidos também, pelos actos, pelo necessidade de amor, pela necessidade de ser feliz e saber apreciar o que é belo.
Somos gratos pelos actos de sabedoria, pelo sorriso, pelo prazer, pelo deleite do calor ao ladoTalvez afinal sejamos já em parte o que seremos no futuro
e pensando assim já antevejo o choro amado, em alto e bom som, os bibeirões feitos ao meio da madrugada, o cabelo lindamente desfeito caído ao lado (sim me refiro a mulher que amo) e que me conquista mais a cada dia quando simplesmente sorri.Engraçado porque vim aqui falar de uma coisa e no entanto me emociono e troco o tema quando simplesmente penso que queremos um bebé, que um dia serei pai.
Engraçado como é belo e importante já deixar algo escrito aqui, como um marco para que ele saiba o quanto o amaremos.piegas, lamexas talvez…
mas ainda assim… há amor também em actos como este.

{080} Clarice Dizia: 27/08/2009

Clarice dizia:
“Suponho que entender não seja uma questão de inteligência, mas uma questão de sentir, de entrar em contato.”
Clarice Lispector
[007]… Madredeus (Haja o que houver) 08/08/2009

Haja o que houver, eu estou aqui
Haja o que houver, espero por ti
Volta no vento o meu amor
Volta depressa, por favor
Ha quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti
Ha quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Madredeus
(Essa música, particularmente me diz muita coisa, algo entre o inacreditável e o realizável… desde 2005)





